domingo, 25 de setembro de 2011

No lugar do condutor

A ideia que mais me marca no mini-doc que apresentei no post anterior é a seguinte: "A maior barreira para a evolução do pensamento humano é quebrar a sua própria doutrina".

No dia em que cheguei a Londres morreu o autor de Pieces of a Man, disco de 1971. Dizem que Gil Scott-Heron era "um poeta de rua que influenciou uma legião de rappers inteligentes". Não sei até onde chega a sua influência... em relação à música sou bastante quadrado e conheço relativamente bem apenas o rock. Tentando mudar isso vou ouvindo este disco. Posso dizer que para além de inteligência, este senhor era dotado de uma enorme consciência social.

Desde que nascemos estamos ocupados a marchar num caminho já estipulado, um trajecto delineado já percorrido por muitas e muitas pessoas. Quase nunca escolhemos, raramente sobra espaço para a escolha, nem fomos treinados para isso. Nas democracias representativas actuais temos a possibilidade de fazê-lo apenas de 4 em 4 anos e nunca se ensinou o cidadão a escolher. Em relação à religião, ou cultivo da espiritualidade como gosto de a ver, nem vale a pena falar. Os sistemas de ensino pura e simplesmente não contemplam a educação da escolha, não cultivam a autonomia, a independência, a individualidade. Aceitando esta realidade, compreende-se facilmente como somos formatados em massa sem que nos dêmos conta. Somos pré-definidos, desenham-nos as formas em série. Inventam-se grupos e colocam-se rótulos. Somos produtos. O mais impressionante no meio de tudo isto é que pela nossa cegueira somos conduzidos ao interior desses grupos querendo nós mesmos fazer parte deles. É para nós importante, ajuda-nos a criar uma imagem de nós próprios, uma identidade.

Mas será o conjunto desses rótulos a nossa verdadeira identidade?
Quanto mais nos definimos, mais nos limitamos.

domingo, 18 de setembro de 2011

Quem é o Peter Joseph?

Dadas as repercussões do trabalho do fundador do Movimento Zeitgeist, assim como a dimensão que este atingiu tão rapidamente, alguém chamado Charles Robinson percebeu que havia uma pergunta chave à qual ainda não havia resposta.

Estes são apenas os 10 primeiros minutos de um mini-documentário ou entrevista a Peter Joseph onde é dada a conhecer não apenas a sua história mas também a sua visão do mundo.
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5

domingo, 11 de setembro de 2011

Ideias que vale a pena espalhar

Este é o lema das conferencias académicas TED. Tiveram início em 1984 para juntar pessoas do mundo da Tecnologia, Entretenimento e Design, mas desde essa altura que o âmbito foi sendo alargado cobrindo cada vez mais tópicos, tornando-se a partir de 1990 um evento organizado anualmente. O TED concede licenças a terceiros para realização de eventos TEDx independentes em cidades de todo o mundo. Estas licenças, de um único evento, são gratuitas, mas a concessão tem que ser aprovada concordando com um rigoroso conjunto de regras, incluindo a duração, formato, limite do número de convidados, etc.
No dia 21 de Março deste ano realizou-se no Porto um evento TEDx. "Introdução a uma Economia Baseada em Recursos" foi a palestra apresentada pelo convidado Peter Joseph.
Aqui a têm. Espalhem-na!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

The Zeitgeist Media Festival, Eu vou!

É um evento global anual onde artistas socialmente conscientes de todo o mundo se unem para celebrar a possibilidade e esperança no futuro da nossa espécie. Neste período de 2011 decorre o primeiro evento global deste género onde se espera começar uma tendência em que cuidar verdadeiramente uns dos outros e do mundo se torna um valor comum. The Zeitgeist Media Festival em Londres ocorrerá durante todo o dia e poderemos contar com expressões multi-média, que vão abranger Música, Dança, Artes Visuais, Filme, Comédia, Poesia; Cada performance/acto comunica gestos de consciência social expandida, assim como valores de comunidade e sustentabilidade.

"Numa sociedade decadente, a arte, se for verdadeira, tem também que reflectir a decadência. E se não quiser quebrar o propósito da sua função social, a arte deve mostrar o mundo como mutável. E ajudar a mudá-lo."
-Ernst Fischer

O evento principal decorrerá em Los Angeles nos Estados Unidos, mas não será realizado no mesmo dia. A data foi escolhida propositadamente, 11 de Setembro de 2011, exactamente 10 anos depois dos acontecimentos em Nova Yorque.

A evolução é agora!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

As coisas

Meus caros, gostaria de partilhar convosco uma curta metragem sobre coisas. É uma espécie de palestra com propósitos educativos. Chama-se A História das Coisas e foi criada por Annie Leonard em 2007. Se têm seguido o blog, as animações ser-vos-ão familiares.. Serão 20 minutos muito bem passados. Desfrutem!

The Story of Stuff Project foi criado para estender o impacto do filme. "Amplificamos o discurso público sobre uma série de preocupações ambientais, sociais e económicas e facilitamos o envolvimento na crescente comunidade Story of Stuff no sentido de unir esforços estratégicos para construir um mundo mais sustentável e justo. A nossa comunidade online inclui mais de 150 mil activistas".
Este ano chegou a segunda temporada, tão elucidativa como a primeira, mas agora a história é outra. Annie troca por miúdos o significado e o impacto que uma determinada lei aprovada em 2010 terá na sociedade americana. É importante ter em mente que os Estados Unidos são "quem manda" e que, no sistema em que vivemos, todo o planeta está dependente do que se passa na maior potência. Basicamente, essa lei diz que as corporações podem agora gastar quanto dinheiro entenderem no apoio à campanha política do candidato que pretendem. Por outras palavras, as empresas têm agora o direito de influenciar a opinião pública relativamente às eleições ABERTAMENTE!! Isto é um descaramento!! Nesta altura já nem é preciso esconder nada, é tudo perceptível a olho nu. Agora é legal.
Democracia, alguém viu?!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Utopia

É o que se pode ler na base do copo que eu trouxe cá para casa à algum tempo.
O mais incrível é que descobri isso hoje, enquanto escrevia este post! Magia?!
No seu livro de 1516, Thomas More descreve um suposto encontro seu com o seu amigo Peter Gilles e um velho marinheiro português chamado Raphael Hitlodeu. Durante as suas viagens Raphael visitou uma ilha muito particular chamada Utopia, sendo que o conteúdo deste livro se centra no retrato desta sociedade.
"Mas, caro More, para exprimir claramente o que penso, direi que enquanto houver propriedade privada e enquanto o dinheiro for o padrão de todas as coisas, não creio que uma nação possa ser governada nem com justiça nem com felicidade: nem com justiça porque, as coisas melhores cairão nas mãos dos piores homens; nem com felicidade, porque todas as coisas serão divididas entre poucos. Mesmo estes poucos, não conseguem ser verdadeiramente abastados, enquanto que o resto deles é completamente miserável."
Neste lugar não existe dinheiro ou propriedade privada. Todos trabalham, mas apenas o tempo necessário, sendo sempre que possível decretados dias de trabalho mais curtos, para que os habitantes tenham mais tempo para desenvolver as suas mentes ou divertir-se. Homens e mulheres fazem todo o tipo de trabalhos independentemente da sua formação. Todos vestem o mesmo tipo de roupa lisa. Não usam jóias, os metais preciosos são considerados brinquedos para crianças... Enquanto More houve a descrição de Rafael, percebe-se que ele próprio oferece resistência à aceitação dos princípios do estilo de vida utopianos, tal como todos nós oferecemos sempre alguém questiona o nosso modo de vida, ou cultura. Eu acredito que nos dias de hoje poderíamos viver de maneira muito diferente, para melhor claro. Há muita gente nesta altura com muito boas ideias apoiadas inclusivamente pela ciência. O problema neste momento está apenas dentro de cada um de nós.
Após Thomas More, a palavra utopia foi adoptada em todas as línguas europeias e empregue sistematicamente, tornando-se com o tempo num género literário. Livros como este têm como função inspirar-nos para a mudança social.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Quem é o Charlie Veitch?

A secção About do site da Love Police é composta apenas por um texto que começa da seguinte maneira: "Esta é uma biografia escrita por mim por isso vou ser aberto e honesto". Charlie descreve a sua vida privilegiada desde a sua infância, nutrida com amor familiar incondicional. Viveu em vários países em todo o mundo, tendo que se adaptar e reinventar sempre que o seu pai encontrava outro trabalho na indústria do petróleo. Interessado pela natureza das coisas e da realidade, começa aos 17 anos estudos de filosofia na Universidade de Edimburgo. No entanto, "Algo estava sempre em falta. Havia alguma verdade que eu senti que nenhum dos professores ou tutores eram capazes de me dar". Após a graduação, passou 7 anos de fato e gravata num escritório como consultor financeiro, "Este foi o meu período de serviço no mundo ilusório do controlo hierárquico, ganância, medo e hipnose sistemática". Nesta altura distraia-se com mulheres e drogas ao fim de semana, férias exóticas e passa-tempos divertidos. "Estava a viver meia-vida, e ninguém estava mais consciente disso do que eu". Com a ajuda da "demolição controlada do sistema monetário mundial" ficou sem emprego a 1 de Maio de 2009, e a partir daqui estava finalmente livre para poder fazer aquilo que queria. "Comprei uma câmara porque tive algumas experiências em que fui espiritualmente inspirado por pessoas do mundo real e pensei "Se posso fazer o mesmo para os meus companheiros, então quero partilhar com eles o melhor que sei", e os vídeos espirituais nasceram. Chamamos-lhes espirituais, chamamos-lhes humanísticos, chamamos-lhes políticos, algumas pessoas ainda lhes chamam comédia, embora nem sempre sejam divertidos. O que tento ter em conta enquanto faço este trabalho é ser honesto e guiar-me pelas minhas crenças de que nada deveria ser escondido."