Naomi Klein é uma escritora e jornalista Canadiana que acompanhou desde um barco o derrame de petróleo no Golfo do México por parte da gigante britânica BP em 2010. Nessa altura, Klein viajava pelo mundo pesquisando informação para o seu último livro The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism. Confesso que não li o livro e que só depois de assistir à palestra de promoção da obra é que percebi a profundidade do título. Ela argumenta que aqueles que pretendem implementar políticas neoliberais (privatização dos serviços estatais, abolição de regulação dos mercados, e muitas outras que nos deixam nas mãos de apenas algumas empresas) fazem-no muitas vezes tirando partido das circunstâncias que precedem grandes desastres, que podem ser de origem política, económica, militar ou natural. Após estes acontecimentos, as populações em choque sentem um grande desejo de responder para corrigir a situação. No entanto, essa conjuntura é uma oportunidade para os actores sem escrúpulos implementarem tais políticas que vão apenas de encontro aos interesses corporativos.
Klein foi convidada a comparecer e a dar o seu contributo durante os primeiros dias do movimento Occupy Wall Street em Nova York. Nessa altura fez um discurso de apoio ao movimento e eu fiquei a "conhecê-la", quando, no dia da ocupação da bolsa de valores de Londres, me deram um papel com esse seu discurso. O que mais me despertou a atenção foi o título: A coisa mais importante do mundo. Não tenho dúvidas, a mulher tem razão. No sentido de sustentar esta visão, vou falar-vos do que está a acontecer em Londres neste momento.
No dia 19 de novembro do ano passado foi ocupado um novo espaço por parte do movimento Occupy. Trata-se de um grande edifício pertencente ao banco UBS que agora é conhecido como Bank of Ideas. O espaço está aberto a todo o tipo de actividades, desde exposições, reuniões, palestras até workshops que qualquer pessoa queira organizar. Fui levado ao local num dos primeiros dias do ano, intrigado por um encontro chamado Universidade Livre. Reunido numa das salas encontrei um grupo de pessoas sentadas no chão (o edifício estava abandonado e vazio antes da ocupação) à volta de uma grande mesa redonda sem pernas. Começamos por dizer os nossos nomes e a causa da nossa presença. Fiquei surpreendido quando percebi que metade dos participantes eram experientes professores e investigadores com provas dadas que actualmente trabalham em algumas das melhores universidades de Londres. "A ideia é criar uma universidade livre dos poderes que a controlam hoje em dia" - discutia-se. Pode ler-se no forum entretanto criado: Universidade Livre - Livre do estado, dos mercados, e do lucro. Fiquei a saber que alguns desses professores já utilizam aquele espaço para organizar encontros, ou aulas, gratuitas obviamente, onde abordam temas que lhes parecem relevantes atendendo à sua especialidade. Actualmente estão a decorrer 5 cursos: Pensamento crítico com o Clive; Literacia Económica com o William; Questões contemporâneas em assuntos internacionais também com o William; Pensando nos problemas fundamentais com o Nick (Nicholas Maxwell); Direito para a cidade? com a Debbie.
É espantoso, não acham?!

No dia 19 de novembro do ano passado foi ocupado um novo espaço por parte do movimento Occupy. Trata-se de um grande edifício pertencente ao banco UBS que agora é conhecido como Bank of Ideas. O espaço está aberto a todo o tipo de actividades, desde exposições, reuniões, palestras até workshops que qualquer pessoa queira organizar. Fui levado ao local num dos primeiros dias do ano, intrigado por um encontro chamado Universidade Livre. Reunido numa das salas encontrei um grupo de pessoas sentadas no chão (o edifício estava abandonado e vazio antes da ocupação) à volta de uma grande mesa redonda sem pernas. Começamos por dizer os nossos nomes e a causa da nossa presença. Fiquei surpreendido quando percebi que metade dos participantes eram experientes professores e investigadores com provas dadas que actualmente trabalham em algumas das melhores universidades de Londres. "A ideia é criar uma universidade livre dos poderes que a controlam hoje em dia" - discutia-se. Pode ler-se no forum entretanto criado: Universidade Livre - Livre do estado, dos mercados, e do lucro. Fiquei a saber que alguns desses professores já utilizam aquele espaço para organizar encontros, ou aulas, gratuitas obviamente, onde abordam temas que lhes parecem relevantes atendendo à sua especialidade. Actualmente estão a decorrer 5 cursos: Pensamento crítico com o Clive; Literacia Económica com o William; Questões contemporâneas em assuntos internacionais também com o William; Pensando nos problemas fundamentais com o Nick (Nicholas Maxwell); Direito para a cidade? com a Debbie.
É espantoso, não acham?!
Vou concluir este longo post voltando ao início, como já se vai tornando hábito.
Eu acho que comportamentos como os que estes professores e investigadores privilegiados adoptam, tal como os comportamentos que todas as pessoas que saíram à rua em protesto no ano passado, tal como o comportamento de todas as pessoas que de alguma forma "lutam" ou contribuem livremente para melhorar a vida de outras pessoas através de serviço de voluntariado, participação em organizações sem fins lucrativos, participação em qualquer tipo de movimento onde os valores da paz, liberdade e igualdade são defendidos, fazem parte do maior movimento da história da nossa civilização. Eu acredito, e não sou o único como já vão ver, que este tipo de iniciativas tomadas por pessoas como eu e tu, fazem parte de uma resposta natural do organismo composto, mas indivisível, chamado humanidade, aos problemas que esse mesmo organismo enfrenta nos dias que correm. Eu concordo com o Paul Hawken, o homem que escreveu um livro com um grande título em 2007: Unrest Blessed: Como o maior movimento do mundo surgiu e por que ninguém o viu chegar.
Desfrutem deste pequeno excerto de uma das suas palestras e tenham consciência de que esta é a coisa mais importante do mundo.
Eu acho que comportamentos como os que estes professores e investigadores privilegiados adoptam, tal como os comportamentos que todas as pessoas que saíram à rua em protesto no ano passado, tal como o comportamento de todas as pessoas que de alguma forma "lutam" ou contribuem livremente para melhorar a vida de outras pessoas através de serviço de voluntariado, participação em organizações sem fins lucrativos, participação em qualquer tipo de movimento onde os valores da paz, liberdade e igualdade são defendidos, fazem parte do maior movimento da história da nossa civilização. Eu acredito, e não sou o único como já vão ver, que este tipo de iniciativas tomadas por pessoas como eu e tu, fazem parte de uma resposta natural do organismo composto, mas indivisível, chamado humanidade, aos problemas que esse mesmo organismo enfrenta nos dias que correm. Eu concordo com o Paul Hawken, o homem que escreveu um livro com um grande título em 2007: Unrest Blessed: Como o maior movimento do mundo surgiu e por que ninguém o viu chegar.
Desfrutem deste pequeno excerto de uma das suas palestras e tenham consciência de que esta é a coisa mais importante do mundo.
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